A recente criação da categoria escolas
indígenas no sistema educacional brasileiro pode ser o primeiro passo para que os
índios se afirmem como cidadãos e façam valer seus direitos.
Não que as crianças índias estejam excluídas do
sistema de ensino. A questão é que a educação escolar que lhes é oferecida, além de
estar aquém de um padrão mínimo de qualidade, não respeita suas origens e
peculiaridades das sociedades em que vivem. Existem hoje, espalhadas pelo país, 1500
escolas atendendo a 70 mil alunos índios. Algumas criadas pela FUNAI (Fundação Nacional
do Índio), outras por ONGs ou missões religiosas. A maioria sofre com a falta de
recursos financeiros, usa métodos educacionais ultrapassados e inadequados à sua
clientela e há as que nem são oficializadas. De seus 2900 professores, 2 mil (das
próprias aldeias) não têm nem formação em magistério.
| A escola que se pretende será bilingüe, e o
aprendizado da língua materna terá tanta importância quanto o português. Os alunos
terão acesso aos conteúdos disciplinares obrigatórios ao ensino fundamental, mas
também estudarão a história de seu povo, tradições e conhecimentos científicos. A
forma como isso será feito será decidido em conjunto com a comunidade. |
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Caberá à nova escola a missão de estudar e resgatar a cultura e a dignidade dos índios, não folclorizá-los.